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sexta-feira, 7 de março de 2014

Detesto e Doente começam com a mesma letra.

Cá para mim não é por acaso. 

Detesto estar doente. Aborrece-me terrivelmente a falência do corpo. Cãibras, lesões e doenças são do mais irritante que há. E a idade pesa. É uma porra, mas pesa mesmo. Sempre que ouvia esse tipo de chavões achava que a mim não me iria pesar... que, por alguma razão, eu era mais forte, tinha mais energia. Balelas. 

 E o facto de ter crescido numa zona de campo, rodeada de animais e alimentos orgânicos era suposto ter-me deixado mais forte contra virús e bactérias. Balelas. 

Desde que estou na "cidade" que fico doente como os outros. E ultimamente tenho ficado doente tantas vezes. As teorias são muitas: alguns culpam os transportes públicos, outros o ar condicionado do trabalho, outros o entra-e-sai da piscina quando vou à natação, há quem culpe as janelas lá de casa que não fecham bem (se calhar devia enviar as contas médicas à senhoria). Eu até me alimento com mais cuidado, faço exercício, agasalho-me. Vai dar ao mesmo. 

No início do ano tive uma amigdalite do demo e estou outra vez apanhada do nariz - desta feita com direito a ouvido tapadinho de todo. Cá para mim tenho o ouvido cheio de ranho.

Por alguma razão o ranho que o meu nariz estava alegremente a produzir queria sair, mas perdeu-se e enfiou-se numa estrada que foi dar ao ouvido. Agora se calhar está à espera de resgate com uma bandeirinha feita de muco seco que diz SOS. 

Fico sempre surpreendida com a capacidade que o meu corpo tem para produzir ranho. E nunca percebi muito bem para que é que serve o ranho. "Ah e tal é para não desidratar as mucosas e é para tirar partículas que fazem mal." Se me dissessem que com 2 quilos de ranho perdia 397 kcal é que era conversa. Mas vamos lá ver a definição de ranho...
ra·nho - substantivo masculino [Plebeísmo] - Humor mucoso das fossas nasais; muco, monco. 
"ranho", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
O que isto me diz é que o ranho é a forma gelatinosa que o nosso nariz usa para gozar connosco. Era só isto. Obrigada.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Corpo de Mulher, nome de Menina.

Lisboa.

Corpo de mulher.
Ruas rasgadas, paredes curvadas, cores enegrecidas pelo tempo. Sabedoria que se respira.
Calçada que recebe os passos com o hábito da hospitalidade e janelas que se mostram ao mundo tímidas, cobertas. Estendais de amor. Canteiros de tudo o que os dias guardam em si.


Nome de menina.
Que nunca se cansa, que nunca pára de correr. Fôlego de quem não sabe o que é a acalmia. Sorrisos desprendidos em cada curva. E um amarelo vivo de quem se mostra ao mundo sem medo de viver.


É assim, uma cidade e tanto mais do que isso.